Planejamento tributário
Lucro Real ou Presumido: como a decisão é tomada de verdade
A diferença entre presumir e apurar o lucro, quando cada regime costuma pesar, o papel de PIS e COFINS na conta e por que a escolha precisa ser refeita todo ano.
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Poucas decisões custam tanto quanto a escolha do regime tributário, e poucas são tomadas com tão pouca informação. Na maioria das empresas de médio porte, o regime atual não foi escolhido: foi herdado. Alguém decidiu uma vez, há anos, e a opção vem sendo renovada por inércia desde então.
O problema é que a empresa mudou, e a conta que fazia sentido naquele momento pode ter deixado de fazer.
A diferença que importa: presumir ou apurar
No Lucro Presumido, o fisco presume qual foi o seu lucro. Aplica um percentual fixo sobre a receita bruta — que varia conforme a atividade — e cobra IRPJ e CSLL sobre esse valor presumido. Não importa se você lucrou mais ou menos do que a presunção.
No Lucro Real, o lucro é apurado. Receitas menos despesas dedutíveis, com os ajustes que a legislação determina. Você paga sobre o que efetivamente sobrou.
Toda a decisão nasce daí: a sua margem real está acima ou abaixo da margem que o fisco presume?
Quando o Presumido costuma pesar
O Presumido tende a ficar caro quando a empresa tem margem apertada.
Se a presunção legal para a sua atividade é de 8% e a sua operação trabalha com 3% de margem, você está pagando IRPJ e CSLL sobre um lucro que não existiu. Quanto maior essa distância, mais cara a inércia.
Ele também costuma pesar em empresas com muita despesa dedutível — folha grande, aluguel relevante, depreciação de maquinário — porque nada disso reduz a base no Presumido.
Quando o Real costuma compensar
O Lucro Real costuma compensar exatamente nos cenários inversos: margem baixa, prejuízo em algum período, estrutura de custo pesada.
É também o regime natural de boa parte da indústria, que acumula créditos sobre insumos, energia empregada na produção e ativo imobilizado — créditos que só existem no Real.
O contrapeso é a obrigação. O Real exige contabilidade completa, controle rigoroso e um volume de entregas que o Presumido não pede. Isso tem custo operacional, e o custo entra na conta.
O que a maioria esquece: PIS e COFINS
Aqui está o ponto que mais inverte resultado de simulação.
No Presumido, PIS e COFINS são cumulativos: alíquota menor, sem direito a crédito. No Real, são não cumulativos: alíquota maior, mas com crédito sobre insumos e determinadas despesas.
Uma empresa que compra muito pode ter no crédito de PIS e COFINS o fator que torna o Real vantajoso, mesmo quando IRPJ e CSLL apontariam o contrário. Simulação que compara só IRPJ e CSLL está incompleta — e é o erro mais comum.
A decisão é anual, e revisível
A opção pelo regime vale para o ano-calendário. Isso tem uma consequência prática que costuma passar batido: a escolha certa em 2024 não é necessariamente a certa em 2026.
Faturamento subiu, margem caiu, entrou filial nova, contratou trinta pessoas, comprou maquinário. Cada um desses eventos mexe na conta.
Por isso o enquadramento é revisto com o exercício fechado, todo ano — não quando alguém lembra.
Como a análise é feita
Não há atalho nem regra geral. A análise parte dos números da própria empresa: apurações dos últimos períodos, balancetes, composição de custo e despesa, folha e perfil de compras.
Com isso na mesa, os cenários são montados e comparados, e a empresa decide com o impacto de cada alternativa visível.
O que uma análise séria não faz é prometer percentual de economia antes de olhar os documentos. Em parte dos casos o resultado é recolher menos; em outra parte, é descobrir que se recolhia a menos e regularizar antes que vire autuação. As duas respostas têm valor.
Este artigo é informativo e não substitui a análise da operação. Se quiser entender qual regime faz sentido para a sua empresa hoje, fale com a Prime.
